GOVERNO VAI À JUSTIÇA CONTRA PORTUÁRIOS

O ministro dos Transportes e das Comunicações, Affonso Camargo, disse ontem que o governo vai recorrer hoje à Justiça contra a greve nos portos. Segundo ele, não existe como governo e grevistas fazerem um acordo sobre a regulamentação dos portos. O ministro disse que a greve é ilegal e abusiva, e que a paralisação nos portos de Santos, Rio de Janeiro, Sepetiba e Vitória provocou prejuízos de US$228 mil à RFFSA. O ministro das Minas e Energia, Pratini de Moraes, afirmou que o Congresso pode alterar o projeto de modernização dos portos. Pratini chamou de absurda a greve dos portuários. Na área de minas e energia, a greve deverá acarretar, segundo ele, prejuízos diários de US$12 milhões a US$15 milhões. O governo já admite ceder na questão do projeto de modernização dos portos, aceitando o gradualismo na extinção do monopólio dos sindicatos no fornecimento da mão-de-obra, mas espera que também os trabalhadores cedam na questão dos organismos gestores de mão-de-obra, que teriam várias atribuições administradas somente por empresários portuários. Esse é o balanço das rodadas de negociações realizadas até agora entre partidos governistas e da oposição em torno do substitutivo da desregulamentação portuária que deve ser votado na próxima semana. Os sindicatos e federações de avulsos e portuários iniciaram contatos ontem com sindicatos dos EUA e países da Europa e Ásia para que boicotem a carga e os navios brasileiros. Hoje, os portuários dos três continentes deverão responder o pedido. No Rio Grande do Sul, 120 policiais militares investiram contra portuários que realizavam piquetes no porto de Rio Grande (FSP) (O Globo).