O governo decidiu reavaliar a política de preços baseada em acordos nas câmaras setoriais. O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, anunciou ontem que esse assunto não mais será tratado nas câmaras, para evitar a criação de expectativas, como as que levaram o empresariado a fazer remarcações preventivas desde maio. A postura do empresariado inviabilizou futuros acordos que envolvam a redução de preços, como o que ocorreu no setor automobilísticos, disse o ministro. Ele recomendou uma avaliação detalhada dos últimos quatro acordos firmados nas câmaras setorias, para decidir qual o futuro do sistema. Os acordos foram no setor automobilístico, têxtil, brinquedos e componentes eletrônicos. O ministro quer saber o impacto desses acordos na receita tributária, nível de emprego, aumento das vendas e todos os outros efeitos resultantes da negociação. O presidente Fernando Collor criticou as remarcações ostensivas de preços nos últimos dias. Ele classificou de Inaceitável, extremamente grave e pouco produtivo o ato dos empresários". Definiu como "sem fundamento" a expectativa do setor em relação a medidas na área de preços. Collor avalia que "houve quebra de confiança prévia por parte do empresariado quanto à política econômica". No café da manhã que tomou ontem com editores de economia dos principais jornais do país, o presidente Collor fez o seguinte comentário sobre a dolarização da economia: "Cada caso é um caso. O alto nível das nossas reservas tem estimulado a imaginação dos que defendem a dolarização no Brasil. Cada país deve ter a firmeza de fazer o seu próprio plano econômico. O que a Argentina fez está correto e deu certo, mas não significa dizer que dê certo aqui, no Uruguai ou em outro país. Eu já superei essa tentação. Está tudo bem na área econômica e na área cambial. Para que nos aventurarmos numa seara em que não temos a certeza do que vamos encontrar?". O presidente também insistiu na manutenção da política monetária de juros reais, enquanto não se cria uma sólida estrutura para o ajuste fiscal. O presidente da FIESP, Mário Amato, considerou muito primitiva a realização de câmaras setoriais para estabelecimento de preços da indústria e do comércio. Ao comentar o cancelamento pelo governo do encontro com 600 representantes de 28 setores da economia previsto para o dia 30 de junho, Amato alegou que o livre mercado deve vigorar na economia. O presidente da FIESP disse ainda que foi "surpreendido" pelas acusações do presidente Collor de que os empresários quebraram a relação de confiança com o governo (FSP) (O Globo) (JB).