O mundo está consumindo mais suco de laranja. Essa constatação, baseada no comportamento das exportações neste ano, está mudando o cenário pessimista construído pelas indústrias um ano atrás, em cima de projeções de taxa de crescimento da oferta bem superiores à demanda. "O consumo mundial deve estar crescendo a uma taxa de 4% ao ano, praticamenta a mesma do aumento de produção", afirma Ademerval Garcia, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus). Em boa parte, este aumento de demanda está acontecendo na Europa, como reflexo não previsto pelo mercado das mudanças político-econômicas no Leste europeu. As exportações de suco para a Europa cresceram em média 7% neste ano, afirma Garcia. Outro fator de sustentação das vendas externas está na abertura do mercado japonês, que em abril suspendeu seu sistema de cotas de importação. Os embarques para o Japão podem passar de cerca de 40 mil toneladas para algo próximo a 100 mil ou 120 mil toneladas nos próximos cinco anos, estima Hans Suelzle, vice-presidente de relações com a indústria no departamento de citros da Cargill. O Brasil deverá exportar neste ano cerca de 960 mil toneladas de suco de laranja concentrado, gerando receitas cambiais de US$1,3 bilhão (FOB). As estimativas são da Coordenadoria Técnica de Intercâmbio Comercial (CTIC) e indicam aumentos expressivos em relação aos resultados do ano passado. Em 1991, as exportações do produto alcançaram apenas US$898,2 milhões (FOB), decorrentes de vendas de 920 mil toneladas. A safra nacional de laranja 1992/93, que se inicia oficialmente em 1o. de julho, deverá produzir 300 milhões de caixas de 40,8 quilos, sendo 10 milhões de caixas inferior à safra 1991/92. Apenas o Estado de São Paulo, que representará na nova safra 81% da produção total, deverá ofertar 245 milhões de caixas, também 10 milhões de caixas a menos que a safra anterior (GM).