KOHL ENCONTRA EMPRESÁRIOS E ELOGIA O MERCOSUL

No final da tarde de ontem, em São Paulo, o chanceler alemão Helmut Kohl reuniu-se, a portas fechadas, com cerca de 50 empresários numa das salas da Ecobrasil-92 Feira Internacional de Tecnologia. No encontro, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, Kohl conversou sobre o tratamento ao capital estrangeiro no Brasil, o processo de formação do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e as relações bilaterais entre alemães e brasileiros. A reunião foi muito positiva e o chanceler saiu bem impressionado com os
47599 progressos que o Brasil vem tendo com relação ao capital estrangeiro, comentou o presidente da multinacional alemã Siemens, Herman Wever. O empresário observou que a legislação brasileira tem sido flexibilizada. O Banco Central vem facilitando algumas regras, como a remessa de lucros
47599 ao exterior, por exemplo. O sócio-diretor da Kienbaum Consultores, Ingo Ploger, também presente ao encontro, lembrou "a expectativa dos empresários sobre o projeto, que já está no Congresso, que altera o tratamento ao capital estrangeiro". Um dos capítulos do projeto enviado pelo presidente Collor, chamado de Emendão, propõe a não-discriminação entre empresas nacional e empresa de capital misto. "Não votar sobe isso e não votar sobre a legislação de propriedade industrial retarda o progresso do Brasil", disse. O chanceler alemão, segundo Ploger, demonstrou especial interesse a cerca do MERCOSUL, acordo entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai que prevê a formação de um mercado comum a partir de 1994. Kohl comentou que sabia da decisão dos governos de acelerar o processo de integração de suas economias (o prazo anterior fixado para livre trânsito de mercadorias era 1995) e elogiou a iniciativa. O primeiro-ministro da Alemanha, conforme contou, ficou satisfeito em saber que algumas empresas brasileiras demonstraram interesse em investir em seu país. "Contamos a ele que a Mendes Júnior estava participando de projetos na parte oriental da Alemanha", disse Ploger. Também animado com o relato dos empresários sobre o processo de abertura da economia brasileira, Kohl comentou que pretende fortalecer a representação de seu governo na próxima reunião da Comissão Mista Brasil-Alemanha. As duas delegações, de empresários e membros do governo, devem encontrar-se no final de outubro em Porto Alegre. Os empresários entenderam que o chanceler deverá enviar oficiais de alto nível à reunião e inteirar-se dos resultados em detalhes. O chanceler alemão doou ao Instituto de Química de Araraquara da UNESP um equipamento de pesquisa fabricado pela M. Braun no valor de US$45 mil. O equipamento é conhecido como um laboratório portátil de atmosfera controlada. Esse aparelho simula condições atmosféricas para a realização de experimentos (GM).