RACIONALIZAÇÃO DE CARGA AGRÍCOLA

O Brasil poderá economizar até US$3 bilhões por ano com a implantação de um programa de racionalização do transporte de cargas agrícolas. O presidente Fernando Collor, os ministros da Agricultura e dos Transportes e o secretário de Assuntos Estratégicos já têm em mãos um projeto elaborado pela iniciativa privada que prevê um investimento de US$15 bilhões nos próximos cinco anos, sendo que US$4 bilhões já estão previstos em obras financiadas pelos municípios, pelos estados e pela União. A base do projeto está na alteração do modelo do transporte de cargas agrícolas-- que atualmente é 50% rodoviário, 35% ferroviário, 12% cabotagem e 3% hidrovia-- para 60% ferroviário, 15% rodoviário, 8% hidroviário e 17% cabotagem. Estas mudanças podem resultar na economia anual de US$450 milhões em óleo diesel e US$1,4 bilhão em frete. Podem ainda ser computados benefícios diretos de US$250 milhões em economia de demurage (espera de navios); US$400 milhões pela eliminação da espera de caminhões; US$200 milhões pela economia de espera de vagões; além do aumento da produtividade das rodovias. Entre os ganhos indiretos estima-se incremento anual de US$5 bilhões na renda do produtor rural, o que equivale a US$40 por tonelada. Estes valores se referem a uma produção projetada para o ano 2005 de 123 milhões de toneladas de arroz, milho e soja. Como obra mais importante do projeto, está prevista a construção de três grandes terminais marítimos, para operar com navios de 200 mil toneladas de porte bruto (tpb) para o mercado externo. Os portos seriam localizados em Ponta da Madeira (MA), Tubarão (ES) e São Sebastião (SP). Já os portos de Rio Grande, São Francisco do Sul, Paranaguá, Vitória/Capuaba e Santarém seriam utilizados para exportação com navios de 50 mil tbp (GM).