O empresário paulista Takeshi Imai, da Hatsuta Industrial S/A, é o primeiro empresário que se dispõe a denunciar à Justiça um esquema de extorsão supostamente montado pelo empresário Paulo César Farias, o PC. Imai disse que em junho de 1991 resistiu às pressões de três pessoas ligadas a PC para que aceitasse a intermediação da empresa From Brazil na venda de 1.600 pulverizadores ao governo: José Maria Fonseca, dono da From Brazil, Luiz Ribeiro Gonçalves, diretor da CEME (Central de Medicamentos do Ministério da Saúde), e Jorge Bandeira, ex-piloto da campanha do presidente Fernando Collor. "Eles diziam que se não topasse as condições eu nunca mais venderia ao governo", disse Imai, que vai encaminhar a denúncia à Procuradoria Geral da República. O ex-secretário particular do presidente da República, Cláudio Vieira, disse ontem na CPI do Congresso sobre as atividades de PC, que cabia ao empresário alagoano levantar recursos para a campanha eleitoral de Collor em 1989. Em depoimento com cinco horas de duração, Vieira afirmou que sua função era de coordenador financeiro-administrativo, tarefa que PC dissera ser sua, ao tentar explicar anteontem na CPI a participação de ambos na campanha. Durante o depoimento, Cláudio Vieira foi criticado pelos parlamentares por não conseguir esclarecer de maneira convincente a origem de seu patrimônio, considerado incompatível com a renda que declara ter. Segundo Vieira, sua renda mensal é de "Cr$2 milhões e qualquer coisa...". Ele, no entanto, possui dois aviões. Em São Paulo, fiscais da Receita Federal apreenderam documentos que estavam no escritório de PC Farias para análise (FSP) (O Globo) (JB).