Os dois países responsáveis por cerca da metade do dinheiro do planeta, EUA e Japão, estão definitivamente fora do compromisso formal de destinar 0,7% do PIB para projetos ambientais até o ano 2000. Esse é um dos itens polêmicos do capítulo sobre finanças da Agenda 21, o programa de ação global para o próximo século, em debate na Rio-92. Representantes dos dois países disseram que devem aumentar suas contribuições para projetos ambientais, mas não querem fixar prazos. A França lidera a proposta de comprometer já US$3,8 bilhões adicionais para projetos ambientais. A CEE (Comunidade Econômica Européia) também planeja apresentar uma iniciativa unilateral para o financiamento imediato de projetos ecológicos nos países do Terceiro Mundo. A idéia é criar um fundo europeu que comece a operar antes do fim deste ano. Ainda não está definida qual será a reação dos países pobres (G-77) à posição dos EUA e Japão. O texto com a versão final das discussões tinha seis frases assinaladas-- uma delas sobre o comprometimento dos 0,7% até o ano 2000 e outra sobre a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), braço do Banco Mundial que financia países pobres. A AID vai financiar projetos ambientais no Terceiro Mundo. Há duas possibilidades. Uma defendida pelos ricos: aumenta os fundos e adiciona o que vem sendo chamado de Incremento da Terra". Outra, defendida pelos pobres: aumenta os fundos da AID em termos reais, de US$15 bilhões para US$18 bilhões, e garante um Incremento da Terra" de mais US$5 bilhões. Outro organismo que vai financiar os projetos da Agenda 21 é o Global Environment Facility (GEF). Os pobres querem mais poder de decisão no GEF, que também funciona dentro do âmbito do Banco Mundial. O texto com a versão final deixou em aberto, por falta de consenso, questões como quanto e quando os países ricos vão desembolsar. Essas questões deverão ser decididas pelos ministros hoje, ou-- se isso não acontecer-- pelos chefes de Estado (FSP) (O Globo) (JB).