O PROJETO MERCOSUL É PARA VALER

O MERCOSUL é um projeto irreversível e os empresários que duvidarem de sua concretização vão perder boas oportunidades de negócios. A afirmação e o alerta são de Alencar Dávila Magalhães, chefe do grupo que, na Coordenadoria Técnica de Intercâmbio Comercial (CTIC), do Departamento de Comércio Exterior, analisa, acompanha e apresenta sugestões ao governo e ao empresariado sobre como viabilizar mecanismos que permitirão a integração econômica dos quatro países no início de 1995. Ele contesta esse argumento, lembrando que se trata da finalização de uma idéia iniciada nos idos de 1960, com a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALADI), substituída posteriormente pela Associação Latino-Americana de Integração (ALALC). E mais: nesse meio tempo, as quartro nações entraram em processo de acordos bilaterais sobre várias questões comerciais que já sinalizavam o sentido de um mercado comum. Outro mito em relação ao projeto relaciona-se à questão da complementaridade ou não de economias que partem para uma integração. Alencar diz que, neste caso específico, verifica-se complementaridade e concorrência. Neste último caso estão o trigo, os laticínios e a siderurgia, em relação à Argentina. Mas até nessa questão o dogma deve ser afastado ao assinalar que as estatísticas mostram que o Brasil está exportando queijo para a Argentina, situação impossível de se imaginar, dada a grande competência dos portenhos nessa área. Pode-se admitir a questão cambial-- valorização do peso em relação ao dólar--, o que tornaria atraente a aquisição do derivado do leite no Brasil. Mas isso é questão circunstancial e o mais importante a se registrar é que o queijo brasileiro tem a qualidade para atender às exigências do consumidor argentino. Há diversos casos de complementaridade, lembra Alencar, em produtos como café, cacau, açúcar, certos manufaturados. Com relação ao Paraguai, sempre citado como o mais atrasado dos futuros parceiros, deve-se reconhecer, por exemplo, que aquele país está mais avançado em termos tecnológicos na produção de algodão. Alencar enfatiza que o prazo fixado pelo Tratado de Assunção-- janeiro de 1995-- se refere apenas à integração comercial. Outras questões que exigem tempo e negociações mais difícies, delicadas mesmo, como instituição de moeda única, parlamento mutinacional, legislações específicas-- trabalhistas, principalmente--, só serão implementadas após essa fase inicial e não têm data precisa para sua concretização. As últimas estatísticas daa CTIC mostram que as relações comerciais do Brasil com os três outros futuros parceiros do MERCOSUL já são expressivas, representando 7,3% das exportações e 10,58% das importações totais brasileiras do ano passado. Neste ano, no primeiro trimestre, observa-se sensível equilíbrio, com 9,56% e 9,21%, respectivamente. No mesmo período de 1991, a região absorvia 5,31% do valor global das vendas externas brasileiras e era responsável por 10,64% de nossas importações (Relatório Reservado no.1315).