GOLDEMBERG NÃO ACREDITA NO SUCESSO DA CONFERÊNCIA

O secretário interino de Meio Ambiente, José Goldemberg, acabou demonstrando ontem que não tem muitas expectativas sobre o sucesso das convenções que serão assinadas na Rio-92. Goldemberg defendeu o uso adequado da ciência e da tecnologia como a medida mais eficaz para a proteção ambiental do planeta e revelou dúvidas sobre a real eficácia dos tratados que consagram apenas princípios éticos. A Agenda 21 é uma exortação, uma declaração de princípios. É como
47549 querer combater o aumento da população pregando a virgindade. Pode até
47549 funcionar, mas..., afirmou Goldemberg durante entrevista coletiva. Criticado por ambientalistas presentes à entrevista, o secretário de Meio Ambiente manteve suas posições e aproveitou para reclamar da postura idealista das ONGs que, segundo ele, estariam "mais interessadas nas questões políticas do que nos problemas concretos". José Goldemberg anunciou também a implantação do Programa-Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, um conjunto de projetos ambientais negociado há quase dois anos, com o apoio técnico e financeiro da comunidade internacional. Orçado em US$250 milhões e com pouco mais de US$8 milhões para ser deslanchado este ano, o programa serviu mais como uma jogada de "marketing" da área ambiental do governo Collor durante a Rio-92. "O Programa-Piloto tem como objetivo a implementação de um modelo de desenvolvimento sustentável em florestas tropicais brasileiras", disse Goldemberg. Ninguém esperava esse decreto agora. Para esse ano, é impossível que o
47549 Programa-Piloto possa vingar, disse o presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, João Paulo Capobianco. O próprio Goldemberg reconheceu que ainda não foram repassados recursos dos países desenvolvidos para o programa. "Os desembolsos ainda não ocorreram porque será necessária a apreciação do Senado Federal", justificou. Serão, numa primeira fase, investidos US$53 milhões, repassados pelo G-7 (O Globo) (JB).