PC DIZ QUE COLLOR GASTOU MAIS DO QUE DECLAROU

O empresário Paulo César Farias, o PC, admitiu ontem pela primeira vez fraude na declaração de gastos da campanha eleitoral do presidente Fernando Collor, da qual foi tesoureiro. Disse que houve gastos incomensuráveis e impossíveis de serem contabilizados, com camistas,
47541 caminhões e aviões. ""A legislação eleitoral é hipócrita"", declarou. Em depoimento de quase seis horas à CPI do Congresso Nacional, PC também reconheceu irregularidades em sua declaração de Imposto de Renda-- declarou como "empréstimo" de Cr$55 milhões a seu amigo Luiz Calheiros Netto o pagamento pela compra de um carro Mercedes-Benz. Disse ainda que intercedeu a favor de interesses privados junto à administração pública- =- O pedido de empréstimo para a VASP é um exemplo. Citou como seus principais amigos no governo os ex-ministros Alceni Guerra (Saúde), Carlos Chiarelli (Educação) e Zélia Cardoso de Mello (Economia). PC revelou também que obteve um financiamento de US$800 mil do Banco do Nordeste do Brasil para montar o jornal "Tribuna de Alagoas". Negou que tenha nomeado pessoas para o governo e prometeu assinar uma procuração para a CPI verificar sua conta no Banco Nacional de Paris. O presidente da CPI, Benito Gama (PFL-BA), disse que houve "contradição total" com o depoimento de Pedro Collor, irmão do presidente e autor de acusações contra PC. Gama acha que será Inevitável" um confronto entre os dois na CPI. Um levantamento do Sindifisco sobre as declarações de rendimentos de PC nos últimos anos demonstrou um grande enriquecimento durante o governo Collor. Em 1990, PC pagou impostos no valor de US$94 mil, referentes ao ano-base de 1989, somando sua declaração pessoal e a de suas empresas. Na declaração deste ano, referente a 1991, PC pagou impostos no valor de US$1,3 milhão, incluindo sua pessoa física e as empresas. De acordo com esta declaração, PC recebeu de suas empresas, um "pro-labore" de Cr$67,9 milhões, em 1991. Além disto retirou, a título de bônus, dividendos e retiradas de lucros, mais Cr$648,2 milhões. Na declaração de bens, além de ações de suas empresas, PC relacionou uma conta no Banco Nacional de Paris e dois imóveis. O deputado Wilson Muller (PDT-RS) deu entrada na CPI com um pedido de sequestro dos bens de PC, além da apreensão de seu passaporte. Para fundamentar seu pedido, Muller apresentou um parecer do Sindifisco segundo o qual haveria Indícios de crime fiscal" nas declarações de renda do empresário. Já são quatro os inquéritos policiais envolvendo o empresário PC Farias. Hoje, a Superintendência da Polícia Federal em Alagoas designa o delegado que ficará responsável pelo novo inquérito, aberto para apurar as denúncias de prática de sonegação fiscal e enriquecimento ilícito do empresário (FSP) (JB).