O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, prometeu ontem trabalhar junto aos bancos credores para obter uma redução de 30% no valor da dívida externa brasileira e o alongamento dos prazos de pagamento. A condição, segundo ele, "é a aprovação pelo Congresso da reforma fiscal, sem a qual não se reduz a inflação nem se retoma o crescimento econômico". Segundo ele, após a implantação do ajuste fiscal, o Brasil deverá conseguir um desconto de 33% na sua dívida de US$42 bilhões, acumulada junto aos bancos privados internacionais. O diretor-gerente do FMI afirmou que o Brasil precisa entrar em um período de crescimento com justiça social. Para isso, ressalvou, o país tem de cumprir dois objetivos: a reforma estrutural, que inclui o ajuste fiscal, a abertura da economia e a diminuição do tamanho do Estado, e a redução dos gastos com a dívida externa. "E a redução da dívida com os bancos privados só acontecerá se o Brasil prosseguir com as reformas", afirmou. Camdessus fez uma maratona de reuniões ontem em São Paulo. Nelas, defendeu o programa econômico do governo brasileiro e pregou a necessidade do ajuste fiscal. Camdessus esteve com empresários na FIESP e com os presidentes da CUT, Jair Meneguelli, da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, e da CGT, Francisco Canindé Pegado. O diretor-gerente do FMI procurou ganhar a simpatia de sindicalistas demonstrando preocupação quanto à baixa distribuição de renda. Na reunião com os representantes dos trabalhadores brasileiros, ele considerou lamentável a queda de 6,2% da renda per capita em 1991, contra um avanço de 1,2% no PIB nacional. "Defendemos o crescimento econômico e também a distribuição de renda", resumiu Camdessus. O presidente da Força Sindical considerou que acabou a época de slogans como "Fora FMI". Segundo ele, Camdessus disse que mudanças estruturais não devem se limitar aos países do leste europeu. O presidente da CGT afirmou que mais importante do que o desconto da dívida é o crescimento econômico e o emprego. Já o presidente da CUT considerou positiva a possibilidade de um desconto na dívida externa. O presidente da CGT também defendeu a moratória da dívida externa. Para ele, os ajustes econômicos propostos por Camdessus podem levar o país a uma "convulsão". A realidade é que dois terços da dívida compõem-se de juros, e é ai
47538 onde entra o arrocho, que é muito mais forte para a consolidação da
47538 democracia brasileira, afirmou Canindé Pegado (FSP) (O Globo) (GM).