Uma gama de interesses-- MERCOSUL, ICMS de Itaipu, brasiguaios e a exportação para o Paraguai-- faz com que as eleições para prefeito e vereadores em Foz do Iguaçu (fronteira com o Paraguai e Argentina) tenha a campanha eleitoral mais cara do Paraná, e, proporcionalmente, uma das mais caras do país. As estimativas das agências de propaganda do município apontam um gasto entre US$1,6 milhão e US$2 milhões para o candidato que quiser conseguir ser eleito por um colégio de 112 mil eleitores, em uma cidade com 190.194 habitantes. Embora pareça estranha a relação habitantes e eleitores, existe uma explicação: aproximadamente 31.000 pessoas com domicílio eleitoral em Foz do Iguaçu são brasileiros que vivem em território paraguaio. Os royalties sobre a barragem de Itaipu e o ICMS gerado pela usina constituem outro motivo para o encarecimento da campanha. Foz do Iguaçu, que hoje é o quinto município do Paraná em arrecadação de ICMS, deverá saltar para terceiro em 93. Os números mostram o quanto o Paraguai é importante em uma eleição em Foz. Por ano, entre sete a nove milhões de brasileiros fazem compras no país vizinho. Este dinheiro retorna ao Brasil pela necessidade do povo paraguaio de se abastecer em Foz. Isto faz com que a cidade, além de portal do MERCOSUL, seja o paraíso dos exportadores, diz Selmo Jandir Aragão, da A&B Propaganda. O apoio dos exportadores é considerado fundamental para o sucesso de qualquer candidatura (FSP).