O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, disse ontem, no Rio de Janeiro, que "muito ainda precisa ser feito na área fiscal", ao avaliar o desempenho da política econômica. Embora tenha reafirmado o apoio ao programa em vigor e ao ministro Marcílio Marques Moreira (Economia), Candessus deixou claro que os resultados dessa política na área fiscal são insuficientes. Camdessus disse a Marcílio que "as prioridades devem ser a reforma fiscal, o crescimento econômico e a justiça social". Ajuste fiscal é a reforma que o governo pretende fazer na cobrança de impostos e na distribuição de suas receitas. Com isso, espera tornar mais eficientes os gastos do setor público e equilibrar a economia. O desempenho do governo depende da aprovação do ajuste fical no Congresso Nacional. O apoio ao programa econômico e ao ministro, manifestado pelo diretor- gerente do FMI, fez parte também dos discursos do presidente do BIRD, Lewis Preston, e do BID, Enrique Iglesias, na semana passada. No entanto, os três vincularam o apoio ao cumprimento do programa com o FMI. O Fundo considera que em relação ao não cumprimento das metas do primeiro trimestre nada mais há para fazer e que o governo brasileiro ainda dispõe de algum fôlego para tentar mudar esse desempenho no semestre. Como os resultados das contas do semestre só serão divulgadas em agosto, foi considerado oporturno pela assessoria do FMI que Camdessus evite fazer comentários sobre esse tema durante a Rio-92 (FSP) (O Globo).