O governo brasileiro autorizou ontem a importação este ano de 200 mil toneladas de farinha de trigo argentina. Esse volume representa menos de 3% do consumo nacional, mas tem como efeito, a curto prazo, remediar o constrangimento diplomático, no âmbito do MERCOSUL, causado pelas contantes restrições impostas para a entrada do produto no Brasil. A medida foi anunciada após dois dias consecutivos de reuniões junto ao Departamento de Abastecimento e Preços (DAP), órgão ligado ao Ministério da Economia, de representantes do governo argentino e da indústria nacional de massas, panificação e moagem. A autorização para a importação da farinha argentina, no entanto, ainda precisa ser ratificada pelos ministros da Agricultura e Economia. De acordo com fontes do setor, a cota de 200 mil toneladas será distribuída pelo governo argentino aos moinhos locais, sem a intermediação do governo brasileiro para aquisição do produto pelas indústrias de massas nacionais. A farinha receberá o mesmo tratamento tarifário dado ao trigo argentino, que goza de uma redução de 54% sobre uma alíquota de importação de 35%. Mesmo com a autorização, a imposição de uma cota para importação de farinha da Argentina ainda não elimina o aspecto restritivo da posição brasileira em relação àquele país. Fontes do governo alegam, no entanto, que o setor tritícola goza de um caráter especial, justificando a atitude protecionista. De acordo com o vice-presidente da Adria Produtos Alimentícios, Dante Galian Neto, os moinhos argentinos oferecem a farinha de trigo a US$250 por tonelada, um preço 20% inferior ao fixado pelos moinhos brasileiros. "O preço da farinha no Brasil é um dos mais altos no mundo", acusa Galian. O preço do trigo argentino é um dos mais baratos do mundo, rebate Lawrence Pih, diretor-superintendente do grupo Moinho Pacífico. Segundo ele, enquanto o trigo no Brasil chega ao moinho a US$244 por tonelada (CIF), o produto é oferecido a US$120 por tonelada nos portos argentinos. Não nos preocupa a autorização do governo para a importação de farinha
47476 argentina, mas nós também iremos nos abastecer no país em 1994, quando
47476 os mercados estiverem integrados, afirma Pih, para quem será o produtor
47476 nacional aquele que acabará arcando com o prejuízo.
47476 Enquanto o governo argentino acusa o Brasil de impor barreiras
47476 paratarifárias"", as indústrias de massas acusam os moinhos por abuso de preços mínimos elevados para os produtores de trigo e o governo acusa as indústrias pelos acentuados reajustes nos preços das massas e pães. O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Antenor Barros Leal, levantava ainda temores quanto a liberação dos estoques de trigo do governo, que enfrenta problemas para internalização de cerca de 100 mil toneladas mensais contratadas do Canadá. Segundo o DAP, o governo conta, incluindo as importações do Canadá, com estoques de 1,2 milhão de toneladas de trigo, suficientes para atender aas necessidades do mercado interno por dois meses. Segundo Leal, os moinhos estão abastecidos até o final de julho, possuindo 1,3 milhão de toneladas contratadas da Argentina, da qual jaá importaram 1 milhão de toneladas (GM).