De olho num filão que promete chegar a US$3 bilhões em 1992-- no caso, o volume de comércio exterior entre Brasil e Argentina-- e o aumento dos negócios entre os países do MERCOSUL, os bancos brasileiros estão promovendo uma verdadeira corrida em direção a Buenos Aires. Quase todos os bancos estudam a possibilidade de instalar escritórios de representação na capital Argentina e outros já deram o passo inicial, como o Bamerindus, o Itaú e o Nacional. O Banco Mercantil de Crédito (BMC) decidiu abrir um escritório no centro financeiro de Buenos Aires, enquanto Bradesco e Econômico estão estudando a possibilidade com muito carinho. O Real e o Banco do Brasil já estão lá há mais tempo. A maioria dos bancos, porém, não pretende trabalhar como instituição financeira participante do mercado local. Há três meses, por exemplo, o Bamerindus abriu uma representação na Calle Reconquista, no centro financeiro de Buenos Aires, a um quarteirão do BC argentino. "Achamos que os bancos locais prestam melhor serviço no mercado argentino e por isso nossa estratégia é trabalhar com essas instituições", conta Maurício Schulman, presidente do Conselho de Administração do Bamerindus. Para o Bamerindus, tratava-se quase de uma obrigação. Afinal, o banco detém 20% das operações de fechamento de câmbio resultante do comércio exterior entre Brasil e Argentina. Além disso, o Bamerindus abriu agências em todas as cidades médias que fazem fronteira com a Argentina e também Uruguai. Já o Bradesco, maior banco privado brasileiro, está estudando a possibilidade de abrir uma sucursal em Buenos Aires. "Consideramos a oportunidade de abrir uma filial na Argentina", afirma Antônio Bornia, vice-presidente da Área Internacional do Bradesco. "Estamos acompanhando a evolução do MERCOSUL, mas ainda não pusemos um tijolo lá". Mais avançado em seus planos está o BMC. Diretores da instituição retornaram da Argentina recentemente decididos a abrir um escritório de representação em Buenos Aires. Nesse caso, há duas motivações: "Primeiro queremos manter um posto avançado de observação permanente da situação argentina e depois aproveitar as oportunidades que podem se abrir com o MERCOSUL e o crescimento do comércio entre os dois países", explica Paulo Mallmann, diretor-financeiro do BMC. Não queremos ganhar dinheiro atuando no mercado financeiro local, mas
47461 plantar uma semente para nos beneficiarmos com as operações de câmbio
47461 provenientes do comércio exterior, acrescenta Mallmann. No caso do Bamerindus, a entrada no mercado argentino é resultado do enfoque dado ao câmbio na sua atuação no mercado interno. Hoje, o Bamerindus é o maior banco privado na área de câmbio. No ano passado, foi responsável pelo fechamento de US$9,7 bilhões no mercado de câmbio (JB).