Os estados mais ricos poderão ficar sem as transferências de parte das receitas federais, se for aprovado proposta da Comissão de Reforma Fiscal do governo. Segundo o coordenador da comissão, Ary Oswaldo Mattos Filho, o projeto de reforma limita essas transferências a um determinado nível de renda per capita. Os estados com renda acima desse nível-- a ser ainda fixado-- não teriam direito às cotas do FND (Fundo Nacional de Desenvolvimento), a ser constituído com parte das receitas federais, em substituição aos atuais fundos de participação dos estados e municípios. Segundo Ary Oswaldo, as transferências que caberiam aos estados mais ricos retornariam ao fundo, para serem rateadas com os demais estados. Essa limitação não se aplicaria aos municípios. A reforma fiscal desenhada pelo governo prevê a extinção do Imposto sobre Ganhos de Capital dos negócios realizados nas bolsas de valores, o fim do imposto sobre dividendos remetidos ao exterior e a redução da alíquota do Imposto de Renda de 30% para 12% incidente sobre as operações de renda fixa. As informações são de Sérgio Werlang, um dos membros da comissão executiva de reforma fiscal. Para compensar a queda na arrecadação, estimada em 0,17% do PIB (Produto Interno Bruto), a comissão sugeriu a criação do ITF (Imposto sobre Transações Financeiras), com alíquota de 0,2%. Esse imposto será cobrado sempre que houver um débito do sistema financeiro contra o sistema não financeiro e privado, como, por exemplo, no momento de descontar um cheque (O Globo).