FALTA DE SANEAMENTO DEIXA BRASILEIRO DOENTE

Nos últimos 20 anos, o brasileiro carente ficou mais pobre e mais doente. Esta é a conclusão do relatório Saúde, Meio Ambiente e Desenvolvimento, elaborado pela ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública da FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz). O relatório será lançado no próximo dia 11, durante a Rio-92. Os índices de saúde só melhoraram nas regiões e municípios mais
47440 ricos, que foram capazes de pagar o saneamento, atesta Paulo Marchiori Buss, diretor da ENSP. As cidades que ficaram de fora das ações sanitárias sofrem hoje com o retorno e propagação de doenças infecto- contagiosas, como malária, tuberculose, hanseníase (lepra) e cólera. Estima-se que 60% das internações hospitalares no Brasil estejam relacionadas com a falta de saneamento básico. A região Sudeste, por exemplo, com 1.430 municípios, foi contemplada por 1.301 redes coletoras de esgoto. Em contrapartida, o Norte (298 cidades e 25 redes de esgoto) tornou-se foco do cólera. Um dado positivo do relatório é o que aponta para um aumento na expectativa de vida dos brasileiros. A mortalidade infantil precoce diminuiu com a queda da desnutrição e as campanhas de vacinação em massa. Em compensação, a população mais velha e sujeita a doenças crônicas não dispõe de atendimento clínico necessário. As taxas de aumento do câncer espelham o problema. A falta de saneamento é um dos fatores que deixaram a malária, por exemplo, fora do controle das autoridades de saúde, avaliam os autores do relatório. O país apresentava 52.469 casos da doença em 1970. Em 1989, foram feitas 577.520 notificações da doença (FSP).