FUNDAÇÃO ACUSA PRESSÃO DE ZÉLIA

O presidente da Previnorte (fundação ELETRONORTE), João Eduardo de Moura Guido, apontado como um dos homens do Esquema PC nos fundos de pensão, disse que nunca sofreu pressão de PC Farias, mas foi coagido pela ex- ministra Zélia Cardoso de Mello. "Recebi pressão muito forte da ministra da Economia, em março ou abril de 1991. Um banco de investimentos do Rio de Janeiro ligou duas vezes, em nome da Zélia, pressionando a Previnorte a comprar ações da empresa Sade", disse Moura Guido. "Empurrei com a barriga, pedindo balancetes e outros documentos. Escapei porque a Previnorte foi procurada muito tarde e, antes da terceira ligação, acabou o prazo do negócio". A Previnorte comprou em novembro três andares na Torre Leste, uma das quatro do Centro da Varig, por Cr$3,15 bilhões em 12 prestações, segundo Guido, que viu apenas segurança e rentabilidade no negócio. "Não sou do Esquema PC, nem recebi pressão dele. Sou engenheiro, da área técnica, sem influência política". As queixas se concentram em Zélia, que segundo Guido queria forçar compra de ações da Sade, empreiteira em dificuldades, de propriedade de amigo da ex-ministra. Ela tentou acionar outras fundações-- a Petros e a Funcef-- segundo o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF). "A Previnorte é pequena. Está em 79o. lugar no "ranking" das fundações. Quando a Zélia lembrou da gente, era tarde demais", diz Guido (JB).