Num discurso moderado e sem acusações, com a evidente preocupação de evitar que o encontro se transforme em confronto, o presidente Fernando Collor de Mello disse ontem, na abertura da Rio-92, que "se deve e se pode solicitar dos países mais desenvolvidos uma prova de maior fraternidade". Ele avisou que o apelo estava sendo feito em nome de "todos aqueles forçados a conviver com a pobreza". Falando para representantes de 180 países, reunidos no plenário principal do Riocentro, Collor lembrou que há muitas culpas para dividir entre todos, mas que não vale a pena falar do passado. "Não caio na tentação de admoestar aqueles que têm mais", advertiu, "muito menos de reconstruir uma linguagem de confrontação que a história felizmente deixou para trás". Na resposta de 40 linhas à carta que recebeu de George Bush, Collor afirmou ter esperança de que, ao fim da reunião, se chegue a "uma forte declaração de princípios", sobre a questão da preservação e do manejo das florestas. No Aterro do Flamengo, o coordenador do Fórum Global, Tony Gross, destacou a necessidade de as ONG não perderem de vista a elaboração de uma agenda concreta. Ali, o planeta Terra está representado por quase todas as tribos terrestres, ativistas de mil causas: visitantes de todas as idades, cores e países. Na madrugada de ontem, mulheres do Planeta Fêmea, uma das organizações que participa do Fórum Global, fizeram uma vigília na Praia do Leme, cantando e dançando num misto de folclore e carnaval (JB).