O diretor-geral da FAO, entidade das ONU para Agricultura e Alimentação, Edouard Saouma, afirmou ontem, no Rio de Janeiro, que a preservação ambiental no planeta só vai se realizar se houver solução para os graves problemas oriundos da pobreza e das desigualdades sociais. "Não se deve esperar que a população faminta proteja o meio ambiente e os recursos naturais , e se preocupe com o bem estar das gerações futuras, quando o que está em jogo é a sua sobrevivência imediata", disse. Segundo Saouma, cerca de um bilhão de pessoas passam fome e mais de 500 milhões, aproximadamente 10% da população mundial, vivem em estado de subnutrição. Para Edouard Saouma, a pobreza está acelerando a degradação do meio ambiente no mundo de forma tão intensa que os recursos naturais podem ser insuficientes para alimentar toda a população mundial já em 2025, quando o planeta terá oito bilhões de habitantes. O diretor-geral da FAO citou a dívida externa dos países do Terceiro Mundo, a desigualdade no comércio entre o Norte e o Sul e a falta de acesso a tecnologias apropriadas para os países pobres como fatores que contribuem para a deterioração do meio ambiente em todos os continentes (JB).