A Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) começa hoje sob o signo da divergência entre o Norte rico e o pobre Sul. A previsão é de difícies negociações, já que pelo menos 15% dos temas ainda estão em aberto. Os trabalhos terão início com o discurso do secretário-geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali, seguido pela fala do presidente Fernando Collor, que preside a conferência. A Rio-92 deve produzir cinco documentos fundamentais: a Declaração do Rio (com princípios básicos em relação ao meio ambientel); a Agenda 21 (com propostas práticas para o próximo século); duas convenções (uma sobre clima e outra sobre biodiversidade); e a Declaração de Princípios sobre Florestas. Os debates em torno da Agenda 21 estão entre os que mais acirram os ânimos dos participantes. São 290 páginas de texto com 115 áreas divididas em 40 capítulos. O texto contém 350 parágrafos com colchetes (pontos ainda a serem debatidos, onde há divergências), dos quais cerca de 150 referem-se ao financiamento de projetos ambientais. Sete mil jornalistas cobrirão a Rio-92, que terá ainda a presença de 115 chefes de Estado e de governo e de 10 mil delegados oficiais (O Globo) (JB).