O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, apresentou ontem novos números do desempenho da economia no primeiro trimestre, bem mais favoráveis do que os já divulgados pelo governo, tentando minimizar a previsão feita no dia anterior de que o Brasil poderá não cumprir a meta de déficit operacional prometida ao FMI para o semestre. Os novos números mostram que o estouro das metas de déficit operacional (que considera receita menos despesas, incluindo a conta de juros) e superávit primário (receita menos despesas) foi bem menor do que o anunciado pela equipe econômica no início de maio. Mas não garante o cumprimento das metas do semestre. Marcílio afirma que "a meta de superávit primário será tranquilamente cumprida e a meta de déficit operacional poderá ser cumprida". As novas contas apresentadas pelo governo mostram que o déficit operacional caiu de Cr$10,8 trilhões para Cr$8,5 trilhões no primeiro trimestre (comparando o anunciado em maio com a nova projeção). A meta era de Cr$5,6 trilhões. O superávit primário passou de Cr$3,75 trilhões para Cr$6,1 trilhões, quando a meta era de Cr$6,5 trilhões. O ministro justificou a diferença nos números dizendo que houve desvios entre a situação real das contas e o que "conservadoramente estimamos e transparentemente comunicamos à imprensa". Apesar do desempenho mais favorável no trimestre, o Brasil precisará de um grande esforço para cumprir as metas semestrais. O déficit operacional só poderá ficar, no máximo, em Cr$11,4 trilhões, e o superávit primário precisará chegar a Cr$14,8 trilhões (FSP).