Dentro de aproximadamente três meses, um grupo encarregado pelos governos do Uruguai e da Argentina deverá concluir estudos de viabilidade para a construção de uma ponte ligando a cidade de Colônia (Uruguai) a Buenos Aires, com uma extensão aproximada de 45km. A informação é do embaixador uruguaio Enrique Fynn. A construção dessa ponte, cujas obras serão abertas à licitação ainda neste ano, será o primeiro passo para a integração rodoviária do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e foi assunto de reunião dos presidentes do Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina, em dezembro do ano passado, em Brasília. Na ocasião, eles disseram que seus governos iriam considerar a construção, pelo setor privado, antes do fim da década, de um eixo viário do Cone Sul. Ficou acertado, também, que a primeira etapa consistiria na conexão de Porto Alegre (RS) a Argentina, numa segunda fase estender-se-ia a Assunção e depois a Santiago do Chile, completando-se, assim, a ligação dos oceanos Atlântico e Pacífico. O projeto mais adiantado, até agora, envolve o Uruguai e a Argentina. Ambos encomendaram um estudo de viabilidade que começou a ser elaborado há três meses, para a construção da ponte Colônia-Buenos Aires, que deverá reduzir em seis horas o percurso entre a capital uruguaia e a Argentina, comentou Fynn. O Uruguai criou a comissão nacional para a construção do eixo viário no dia 11 de março deste ano, no âmbito do Escritório de Planejamento e Orçamento da Presidência da República, chefiada por Carlos Cat. Segundo o embaixador uruguaio, a nova rodovia, que aproveitará em alguns trechos o traçado atual, mas que será totalmente modernizada, "mudará" a geopolítica e será uma grande contribuição ao MERCOSUL, possibilitando o descongestionamento do porto de Buenos Aires e a utilização de outros portos, como os de Montevidéu, Rio Grande e Itajaí. Fynn lembra que serão necessários outras extensões: de Porto Alegre a Curitiba (PR), de Buenos Aires a Rio Quarto (Córdoba) e de lá até Mendoza. Outra conexão a ser construída será entre São Paulo e Curitiba. "A idéia central é incentivar o comércio através de maiores facilidades ao transporte", comenta Fynn. Segundo ele, o tema voltará a figurar na agenda dos presidentes do MERCOSUL, em Las Len~as, no final deste mês. O projeto da ponte Colônia-Buenos Aires é o mais adiantado porque começou a ser discutido no governo anterior, do presidente Julio Sanguinetti. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) tem interesses em financiar a obra, afirmou. Empresas francesas que participaram da construção do Eurotúnel, que Liga a França à Inglaterra, também estão interessadas, comentou, principalmente na obra do túnel que deverá ser construído nos Andes, na divisa dos territórios da Argentina e do Chile (GM).