MULHERES DIZEM QUE DEMOGRAFIA É ITEM COMPLEXO

O problema da explosão populacional não será apenas um argumento contra os países pobres durante a Rio-92. As organizações reunidas no espaço Planeta Fêmea, a maior tenda do Fórum Global, estão afiadas para provar que a solução não é o controle da natalidade a qualquer preço. Mostrando que o problema é complexo, a escritora Rosiska Darcy de Oliveira, presidente da Coalização de Mulheres Brasileiras, ofereceu o exemplo mais concreto possível: no Brasil, o crescimento populacional hoje é estável, e o que aumenta descontroladamente são as concentrações urbanas, decorrentes do modelo vigente de desenvolvimento. "A questão populacional não pode ser discutida isolando-se a variável do índice de crescimento", alertou Rosiska, acrescentando que um indivíduo nascido nos EUA consome 247 vezes mais energia que um nascido na Bolívia. Hoje, 44% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil estão esterilizadas. Defendemos uma política de saúde no país, que informe a mulher e lhe
47363 dê acesso aos meios anti-concepcionais, propõe a presidente da Coalização de Mulheres. Quanto à questão populacional no Brasil, o Planeta Fêmea comprova que os índices de crescimento não são um problema maior que a má distribuição da população. Segundo números da Redeh (Rede em Defesa da Espécie Humana), o crescimento demográfico caiu de 2,9% em 1960 para 1,8% entre 1985 e 1990, enquanto o total de cidades com mais de meio milhão de habitantes subiu de dois para 390 entre 1940 e 1980 (JB).