Há dois anos no cargo, o embaixador argentino Jose Manuel De La Sota, 42 anos, tem a missão de trabalhar para aumentar os negócios entre Brasil e Argentina. Passa três dias por semana em São Paulo, despachando do escritório do Banco De La Nación Argentina, na Avenida Paulista e viaja por todo o Brasil abrindo portas para empresários do seu país e buscando convecer os brasileiros a procurarem mercados e parceiros na Argentina. Sou um embaixador de negócios, um demolidor de fronteiras que aposta no
47355 sucesso do MERCOSUL, garante. No dia 31 de dezembro de 1994, as barreiras alfandegárias entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai caem e o MERCOSUL passa a funcionar de fato e de direito. Mas o embaixador acredita que as ações empresariais para viabilizar o MERCOSUL estão caminhando mais rápido que o esperado. O Bamerindus, por exemplo, já está operando do lado argentino e a Cervejaria Brahma se uniu a capitais argentinos para produzir malte. Este malte já abastece o mercado brasileiro e a partir do próximo ano será exportado para Budweiser, a maiior cervejaria dos EUA. Este ano está sendo muito bom para o empresariado brasileiro. No primeiro
47355 bimestre o saldo da balança comercial foi favorável ao Brasil em US$104
47355 milhões. No fim do ano o comércio bilateral terá movimentado US$4
47355 bilhões e o Brasil terá um saldo favorável entre US$300 milhões e
47355 US$500 milhões, prevê o embaixador. Parceria-- Os argentinos consideram o Brasil seu principal parceiro econômico, com quem negociam em condições privilegiadas. Com relação à formação de empresas binacionais, por exemplo, De La Sota revela que existe uma negociação com a PETROBRÁS para a construção de um gasoduto que ligará as jazidas de gás natural do Nordeste Argentino a São Paulo. A estimativa inicial é a de que a jazida poderá ser explorada por 30 anos. Nossa proposta é que a PETROBRÁS participe da concorrência que vai
47355 privatizar 50% da jazida. Além disso, nossa empresa estatal, a IPF, está
47355 disposta a vender para a PETROBRÁS outros 30%. Ou seja: a estatal
47355 brasileira poderia ficar dona de até 80% do negócio. O custo do gasoduto
47355 é de US$2 bilhões e sua rentabilidade anual é estimada em US$500
47355 milhões. Estamos aguardando a resposta da PETROBRÁS e torcendo para
47355 assinarmos logo o contrato, diz. Nacionalização-- Ex-deputado, ex-candidato a governador e atual presidente do Partido Justicialista de Córdoba, De La Sota não vê risco de as empresas argentinas se desnacionalizarem diante da concorrência brasileira. "Nossa economia está razoavelmente estabilizada. O importante não é a nacionalidade do capital, mas sim gerar emprego e elevar o nível de renda da população. Com o MERCOSUL existem fatos facilmente previsíveis, como a quebra dos empresários argentinos que produzem açúcar. "Esses não vão aguentar a concorrência. Mas em contrapartida vamos ser mais agressivos no setor de laticínios. O importante nisso tudo é criar condições para a formação de empresas transnacionais que possam atuar na conquista de novos mercados no Primeiro Mundo. Isso sim vai ser um grande passo", aposta. De La Sota conta que o presidente Carlos Menem está colhendo resultados positivos depois da implantação do Plano de Conversibilidade, que dolarizou a economia argentina. "A última pesquisa mostra que ele tem a confiança de 68% da população", assegura. Sobre a possibilidade da dolarização dar certo no Brasil o embaixador é taxativo: "A dolarização não é necessária aqui, porque a evasão de dólares no Brasil não é grande e prova disso é que o Plano Collor tirou de circulação US$110 bilhões que estavam depositados nas instituições financeiras. O caminho do Brasil é outro", diz De La Sota (JB).