DIVERGÊNCIAS SOBRE A FARINHA

Por insistência da diplomacia argentina, o governo brasileiro terá que decidir na quinta-feira (4) se permitirá a importação de farinha de trigo daquele país. Numa reunião, em São Paulo, diplomatas e representantes dos dois países procurarão encontrar uma solução para o problema, que se arrasta há dois anos. A indústria moageira do Brasil não aceita a importação e sequer quis examinar a proposta dos seus concorrenges argentinos de colocar no mercado, ela mesma, o produto. O problema é que a farinha argentina não consta das listas de exceção acertadas entre os dois países e que se referem a produtos que não gozam dos benefícios da redução progressiva das tarifas alfandegárias (hoje de 54% de "desconto" sobre a tarifa cobrada de outros países e, a partir de julho, de 61%). E, mesmo pagando tarifas normais, a farinha argentina não pode ser vendida no Brasil devido a uma norma anexada ao Acordo de Complementação Econômica, de dezembro de 1990-- que criou o mercado comum entre os dois países--, estabelecendo que o produto só poderá ser importado pelo Brasil depois de autorização prévia do Departamento de Abastecimento e Preços do Ministério da Economia. Pressionado pela indústria moageira local, o governo argentino passou a considerar que a proibição de importação constitui uma "barreira paratarifária", alheia ao espírito do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). As indústrias brasileiras, por sua vez, argumentam que sai mais barato importar trigo do que farinha da Argentina e que a compra do produto prejudicará o produtor rural. O presidente da Federação Argentina da Indústria Moageira (FAIM), Margos Lagomarsino, afirmou ontem, em Buenos Aires, que a importação de, no mínimo, 2 milhões de toneladas anuais de trigo argentino e ainda a compra do produto com subsídios de outros mercados é que constituem grave prejuízo à triticultura brasileira. Os moinhos argentinos têm condições de exportar, neste ano, entre 300 mil e 500 mil toneladas de farinha para o Brasil (GM).