O Global Environmental Facility (GEF), o polêmico fundo para o meio ambiente administrado pelo Banco Mundial, será mais democrático e transparente, com a participação crescente dos países em desenvolvimento na escolha de projetos. A promessa foi feita ontem pelo gerente de comunicação do GEF, Nick Van Praag, durante a primeira entrevista coletiva do Fórum Global, evento paralelo à Rio-92, no Aterro do Flamengo. Diante de uma platéia com cerca de 100 jornalistas, que na maioria das perguntas criticou o caráter elitista do fundo, Praag admitiu que algumas exigências do GEF dificultam a participação dos países pobres, mas afirmou que a situação começará a mudar ainda este ano. Um dos problemas, segundo Praag, é que, para se tornar membro da instituição, cada país precisa doar US$5,5 milhões (Cr$16 bilhões) para o GEF-- quantia que cai pela metade no caso de países em desenvolvimento. "Os países em desenvolvimento não precisarão pagar mais nada para entrar no GEF e acredito que, dos atuais 32 membros, pularemos para até 140", disse. O sistema de votação do GEF também mudará, segundo Praag. Com a implantação do que classificou de "double majority" (maioria dupla), países em desenvolvimento poderão se unir e ter peso igual ao dos países que contribuem para o fundo. O funcionamento desse novo sistema não foi detalhado. Criado há um ano e meio, o GEF administra nesta fase piloto, uma verba total de aproximadamente US$1,3 bilhão. Os projetos financiados pelo GEF estão concentrados basicamente nas áreas de aquecimento global, biodiversidade e combate à poluição das águas. Em meio à polêmica sobre a reestruturação do GEF, as Organizações Não- Governamentais (ONGs) pretendem criar o seu próprio organismo para financiar projetos ambientais e de desenvolvimento sustentável. O documento que servirá de base para a discussão da idéia, durante o Fórum Global, afirma que o fundo das ONGs pretende ser uma opção aos órgãos de financiamento existentes, extremamente burocratizados. Organizações locais em todos os continentes, chamados de fundações comunitárias, serão a base de atuação do novo fundo e ficarão com 70% dos recursos (O Globo) (JB).