Antes do embate Norte-Sul previsto para a conferência oficial do Riocentro, e depois de ter começado o tiroteio contra as multinacionais, as Organizações Não-Governamentais (ONGs) iniciam hoje no Fórum Global, o evento paralelo à Rio-92, no Aterro do Flamengo, uma luta interna: além de discutirem como salvar o planeta, vão definir seu próprio futuro. O surgimento de ONGs empresariais, e mesmo o financiamento de grupos ecologistas por indústrias, poderão gerar uma dissidência: a dos grupos ativistas que não mantêm relações com corporações empresariais e que, para separar o joio do trigo, poderão adotar a sigla ONC (Organização Não-Corporacional). Começamos a discutir isso na última reunião preparatória em Nova
47320 Iorque. As multinacionais criaram ONGs como o Conselho Internacional de
47320 Metais e Meio Ambiente e o Grupo de Política Responsável sobre CFCs.
47320 Mesmo ONGs ambientalistas têm apoio financeiro das indústrias, cujos
47320 executivos participam de seus conselhos, disse Joshua Karliner, o coordenador do Greenpeace para a Rio-92. O possível "racha" mostra que o slogan "One world, one voice"-- "Um mundo, uma voz"-- não é real nem mesmo entre as ONGs. O Greenpeace, por exemplo, mesmo reverenciado e temido pelas próprias ONGs, é acusado de querer ser o dono da "verdade ecológica". Joshua Karliner não revelou quais ONGs pensam em se transformar em ONCs, mas os grupos ecologistas internacionais mais próximos ao Greenpeace são o Friends of the Earth, o World Rainforest Movement e o Pesticides Action Network (O Globo).