O Brasil, sede da Rio-92 a partir desta semana, não conseguiu viabilizar, nos mais de dois anos do governo Collor, o ingresso de recursos externos, a fundo perdido, para aplicação em projetos de preservação ambiental no país, principalmente na Amazônia. Os dois secretários de Meio Ambiente e os cinco presidentes que passaram pelo IBAMA não conseguiram dobrar os rígidos padrões burocráticos dos bandos de desenvolvimento internacionais e nem driblar, a nível interno, o descaso que tomou conta da política ambiental brasileira. Se a estrutura do Banco Mundial é excessivamente burocrática, a do IBAMA
47311 é pior ainda, reconhece o secretário de Meio Ambiente do Maranhão e criador do IBAMA, Fernando César Mesquita. "O BIRD faz um discurso ambientalista, mas cobra as mesmas taxas de juros para financiar uma estrada ou um projeto de preservação ambiental", diz. O maior exemplo da burocracia do BIRD, segundo Mesquita, está no financiamento de US$117 milhões para o Plano Nacional de Meio Ambiente (PNMA), cujas negociações foram iniciada há mais de cinco anos. Somente no fim do ano passado começaram a ser firmados convênios com os estados, para o repasse de verbas. A também anunciada liberação de US$1,5 bilhão dos países desenvolvidos que integram o Grupo dos Sete (G-7) para o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais Brasileiras não passou de um engodo. Os sete países (EUA, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Japão, Itália e França) foram reduzindo geometricamente o montante de recursos para o programa: de US$1,5 bilhão, passou para US$250 milhões e, depois, para apenas US$53 milhões. E mesmo esses recursos ainda não ingressaram no Brasil. O país também deixou de receber US$30 milhões da Agência de Desenvolvimento do Banco Mundial (GEF) por não ter apresentado projetos viáveis (JB).