ESTADO DO RJ PLANEJA FUTURO MAIS VIÁVEL

Quando se reúnem, ao longo de seis meses, lideranças de diversos setores da vida econômica e social de um estado com reconhecidos problemas só há, em resumo, duas possibilidades: um futuro viável, ou inviável. Embora não tenham sido poucas as vezes em que a meda de debates do "Fórum Rio - Século XXI" pendeu para o pessimismo, prevaleceu a primeira opção. Os problemas do Estado do Rio de Janeiro estão hoje bem identificados e-- o mais importante-- as soluções estão disponíveis. Basta, por exemplo, conforme se viu no caso da crise da indústria naval, um pouco de mobilização. Trabalhadores e empesários puseram de lado divergências históricas e foram juntos a Brasília resolver os problemas. Infelizmente, muitos dos problemas do estado ainda passam pelo caminho da capital federal. O próprio governador Leonel Brizola admite que sem uma solução para o crônico problema da dívida do metrô será difícil superar os impasses que impedem o desenvolvimento da economia regional. Enquanto se armam as condições de base para que o Estado do Rio de Janeiro libere as amarras que impedem seu desenvolvimento, é possível fazer sair do papel alguns projetos de longa data capazes de, a um só tempo, provocar agradáveis reviravoltas na economia estadual. Pode-se, por exemplo, tornar o Rio um centro financeiro internacional, situação ainda mais conveniente com aproximação dos mercados latinos do Sul do continente. E já que se está falando de assuntos internacionais, parece muito viável encerrar o debate sobre a criação das polêmicas zonas de segurança turística garantindo, de uma ou outra forma, que os turistas não se transformem em carniça para os bandidos da cidade. Em outros temas, as soluções são de mais longo prazo-- caso dos menores carentes e do próprio combate à miséria, prerrogativa para que se possa vir a falar, também, em preservação da natureza. O caminho mais rápido para resolver o problema dos meninos e meninas de rua não passa por trâmites burocráticos para a liberação de verbas federais, estaduais ou municipais destinadas a qualquer projeto de impacto. Precisa, apenas, de organização e articulação entre os diferentes órgãos públicos e instituições particulares que se dedicam à questão da infância carente e abandonada. Para o sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), a situação de abandono do menor carente decorre da falta de interesse do poder público em encontrar uma solução. Ele lembrou que existem inúmeros projetos em favor dos meninos de rua mas poucos incluem a oferta de um lugar para dormir com direito a, pelo menos, café da manhã. A grande maioria dos projetos ou é preventivo, para impedir que as
47310 crianças passem a viver nas ruas, ou cria atividades para ocupar as
47310 crianças durante o dia, sem estrutura de moradia e alimentação, ponderou. Tomando por base o resultado de recente pesquisa realizada pelo IBASE, revelando que os meninos que dormem nas ruas não passam de mil no Grande Rio, os debatedores chegaram a mais uma posição de consenso: a de que é possível resolver esse problema de imediato (JB).