A`s vésperas da abertura da Rio-92, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), com o "Jornal do Commercio", divulga um conjunto de documentos e análises que evidenciam o que está em jogo nas negociações intergovernamentais. Isabel de Carvalho, pesquisadora do IBASE, questiona a lógica mercantil que prevalece no conceito empresarial de desenvolvimento sustentável. A pesquisadora indiana Vandana Shiva, do "Third World Network", aponta os riscos da centralização do poder de financiamento do combate à degredação ambiental nas mãos do Banco Mundial (BIRD). O professor Wolfganga Sachs, do Institute for Cultural Studies de Essen", da Alemanha, sugere que o casamento conceitual entre meio ambiente e desenvolvimento pode reduzir a ecologia a um conjunto de estratégias administrativas controladas por uma ecocracia global. Henri Scselrad, economista do IBASE, analisa a conjuntura das negociações da Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), assinalando a lógica conservadora que estaria presidindo o fortalecimento das posições do governo dos EUA. Maria Clara Couto Soares, pesquisadora do IBASE, mostra que a degradação ambiental não poderá ser revertida sem a reformulação das regras do comércio internacional. Herman Daly, economista do Departamento de Meio Ambiente do Banco Mundial, critica o capítulo da Agenda 21 relativo a políticas para o desenvolvimento sustentável, apontando a indigência intelectual das hipóteses segundo as quais o livre comércio equilibra o meio ambiente. As Declarações Finais de quatro Seminários de Organizações Não- Governamentais (ONGs), preparatórias à Rio-92, realizados nos EUA, Malásia e Holanda, completam a massa de informações (JC).