Enquanto grandes empresas se empenham em manter políticas salariais próprias-- e mais generosas que a oficial-- cresce entre as demais a tendência de seguir estritamente as antecipações e reposições previstas em lei. A crise econômica tem, assim, uma nova consequência: o aumento da distância que sempre separou os "oásis" salariais da grande massa de assalariados do país. Pesquisa realizada pela Arthur Andersen, com 69 empresas de 13 setores, mostra que é cada vez maior o número das que se limitam a seguir a lei e aponta um fato inédito: acordos em dissídio que, deixando de lado qualquer ganho real, garantem apenas o que já está garantido pelo governo. Chama a atenção o fato de que, entre os setores mais atrelados à política salarial oficial estão três que concentram grande número de grandes empresas: bancos, construção civil e têxtil. Na outra face da moeda, pesquisa da Price Waterhouse realizada junto às 500 maiores empresas do país mostra duas tendências que englobam 46,7% do universo pesquisado: acompanhar a evolução dos salários no mercado e dar reposição mensal conforme o desempenho da produção e das vendas. Já vai longe a época em que o ABCD paulista centralizava as atenções do país como símbolo da prosperidade. A renda média familiar na região caiu de 10,3 salários-mínimos para 6,9 nos últimos cinco anos. Nos últimos dois anos, segundo pesquisa do DIEESE, o empobrecimento se acentuou. Os metalúrgicos não mudam de emprego voluntariamente e têm a qualidade de vida baixa, morando em inúmeros casos em favela. Em São Bernardo do Campo e Diadema, por exemplo, 25% dos 123 mil metalúrgicos empregados já moram em barracos. Em 1989, este percentual correspondia a 20%. Enquanto em 1989, um metalúrgico precisava de 72,6 salários médios para comprar um caminhão leve, no ano passado a aquisição do mesmo veículo exigiria 98,7 meses de salários (O Globo).