ONGS DEVEM PROCURAR NOVOS CAMINHOS

A fase heróica das ONGs (Organizações Não-Governamentais) terminou. Elas tiveram papel fundamental, a partir da década de 80, na formação da consciência mundial sobre a necessidade de proteger o meio ambiente; colocaram em xeque a lógica econômica do Planeta; e lançaram o conceito do desenvolvimento-- ou ecodesenvolvimento--, cerne de todas as discussões da Rio-92. Mas, logo após a realização da conferência, devem redefinir sua posição e estudar novas formas de se comunicar e se articular com a sociedade. Caso contrário, perderão o "bonde da história". Essa foi uma das conclusões a que chegaram os participantes do seminário Política de Meio Ambiente e Rio-92, ontem, no Fórum Rio-Ciência 92, evento paralelo à Rio-92. Não se trata de imaginar que a Rio-92 vai resolver todos os impasses ambientais da Terra e que, por isso, não haverá mais necessidade das ONGs ambientalistas. Muito pelo contrário. O consenso é de que a conferência não terá resultados concretos. Mas, a partir do momento em que as ONGs conquistaram acesso às decisões oficiais e respeitabilidade, mais do que nunca precisam estar organizadas para participar do trinômio Estado-ONG- Sociedade, sem o qual não haverá democracia nem desenvolvimento auto- sustentável. Mais do que a Rio-92, o importante agora é discutir o day after da
47282 conferência. Chegamos ao momento de as ONGs se relacionarem com o mundo
47282 oficial e muitas terão que se livrar de certos preconceitos para assumir
47282 seu papel. Os parlamentos são essenciais numa democracia e as ONGs devem
47282 ficar ao lado deles, ajudando a formular políticas públicas, e não
47282 contra eles, defendeu o deputado federal e ambientalista Fábio Feldman (PSDB-SP), um dos participantes. No caso específico do Brasil e da América do Sul, o problema é mais sério, segundo Roberto Guimarães, coordenador da Divisão de Política Social da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina), para quem a questão ecológica não pode ser dissociada do problema social. "É fundamental a capitalização dos países da América Latina para entrar no trilho do desenvolvimento auto-sustentável", defende. Afinal, dificilmente uma sociedade vai tomar consciência de questões ambientais enquanto viver preocupada com problemas imediatos, cotidianos (JB).