MERCOSUL DÁ APOIO À PEQUENA EMPRESA

Para evitar que o MERCOSUL se transforme num mercado comum unicamente de cartéis, entidades brasileiras e argentinas de apoio a micros e pequenas empresas firmaram convênio ontem, na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, para o intercâmbio de informações entre os empresários que compõem este segmento. A principal preocupação das entidades é mostrar aos micros e pequenos empresários dos países que formam o MERCOSUL as realidades e particularidades dos mercados consumidores. "Nós precisamos nos conhecer", observou o presidente do Conselho Deliberativo do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul (SEBRAE), Dagoberto Lima Godoy. O SEBRAE, a Cámara de Consórcios y Cooperativas de Exportación de la República Argentina (Caccera), Cámara de Industrias de Processos de la República Argentina (CIPRA) e Consejo Argentino de la Industria (CAI), querem a formação de um banco de dados que possa fornecer aos micro e pequenos empresários informações sobre demandas de ofertas, possíveis parcerias, tecnologias e legislações. "O MERCOSUL vai realmente ser uma integração quando as micros e pequenas empresas trabalharem juntas, promovendo a democratização da economia comum. Sem isso, o MERCOSUL poderá se transformar num mercado comum de cartéis, somente de grandes empresas", disse Dagoberto Lima Godoy. Comércio possível-- Hoje, existem no Rio Grande do Sul entre 150 mil e 200 mil micro e pequenas empresas, número que soma mais de dois milhões em todo o Brasil, responsável por 44% dos empregos brasileiros. Precisamos ajudar nossos empresários a acabar a competitividade
47280 destrutiva e apostar no conceito de parceria, disse o empresário brasileiro. O presidente da Câmara de Consórcios e Cooperativas de Exportação da República Argentina, Manuel Aldo Glagovsky, acredita que 50% dos negócios a serem realizados no MERCOSUL vão ficar com os micro e pequenos empresários, como acontece em toda a economia internacional. Ele disse que a proximidade física, os costumes e a cultura comum devem tornar os negócios mais fáceis do que entre empresários de outros estados brasileiros. A empresa Alimentos S/A, de Buenos Aires, iniciou entendimentos com a indústria de alimentos Biscosul, de Porto Alegre, visando à distribuição de biscoitos argentinos da marca Proal no Brasil, através do Rio Grande do Sul. Este foi um dos primeiros negócios acertados no encontro de pequenos e microempresários dos dois países, realizado ontem na FIERGS. Outro negócio foi da Arke Indústria Metalúrgica de Produtos com representantes uruguaios para ampliar suas exportações de churrasqueiras caseiras e espetos para aquele país (JB) (GM).