O empresário Pedro Collor de Mello entregou à Polícia Federal organograma completo do que chamou de governo paralelo exercido pelo empresário Paulo César Farias, o PC, na primeira fase do governo do presidente Fernando Collor. O documento contém os nomes de 12 pessoas que, segundo ele, atuam ou atuaram em nome de PC em diversasa áreas de negócios. De acordo com o relatório, PC tinha atuação direta nos Ministérios da Economia (gestão Zélia Cardoso de Mello) e da Infra- estrutura (gestão João Santana). Em outras áreas do governo, PC se valia de "operadores". São os seguintes os 12 testas-de-ferro de PC: Luiz Calheiros-- empresário baiano do setor de transportes; Augusto César Farias-- deputado federal (PSC-AL) e irmão de PC. Fazia lobby em Brasília; Carlos Gilberto Farias-- outro irmão de PC. É um dos sócios da construtora alagoana Empretel; Luís Romero Farias-- outro irmão de PC. Foi secretário-executivo do Ministério da Saúde e hoje é assessor da liderança do PSC na Câmara; Roberto Celestino-- empresário alagoano do setor de torrefação de café; Comandante Bandeira-- trata-se do piloto pernambucano Jorge Waldério Tenório Bandeira de Mello, que transportou o presidente Collor na campanha de 1989; Luiz Otávio-- trata-se de Luiz Otávio Silva, que atendia no primeiro escritório de PC em São Paulo. Luiz Otávio é apontado como o homem de PC na Secretaria de Desenvolvimento Regional (época de Egberto Batista); Paulo Jacinto-- advogado em Alagoas, é apontado como responsável por organizar as empresas de PC no exterior; Guy des Longchamps-- o francês teria intermediado a compra, em Paris, de um apartamento e de uma empresa imobiliária (a SCI). Contratado por PC para prestar assistência financeira no âmbito internacional; Severino Oliveira-- coordenador dos negócios de PC no escritório de São Paulo; Fenando Santa Cruz-- representante de PC junto à SUDENE; Geovane Carlos-- coordenador dos negócios de PC no escritório de Maceió (AL). O empresário Pedro Collor passou ontem ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e ao deputado federal José Dirceu (PT-SP) documentos com indícios de que PC teria feito tráfico de influência em organismos governamentais. Os exemplos citados por Suplicy foram em relação a compras de merenda escolar e a operação de entidades de previdência privada (O Globo).