SETOR FLORESTAL FATURA US$11 BILHÕES ANUAIS

O setor florestal fatura no Brasil US$11 bilhões anuais-- cerca de 4% do PIB--, mas não consegue atender mais do que 1% do mercado mundial de madeira e derivados. As exportações, da ordem de US$2,5 bilhões por ano, são inferiores às vendas da China, um país com clima menos propício e área territorial mais reduzida. Esse baixo volume de vendas poderá ser reduzido ainda mais, no futuro, se persistir a pressão de grupos ambientalistas de todo o mundo, dispostos a promover o boicote às madeiras tropicais ameaçadas de extinção, sobretudo o mogno. "Ainda não registramos uma queda visível nas vendas, mas essa tendência já está estabelecida", diz Jorge Boratto, presidente da Sociedade Brasileira de Silvicultura. Apenas 32% dos 263 milhões de metros cúbicos de madeira cortados todos os anos no país provêm de áreas de reflorestamento, cobertas sobretudo por espécies exóticas, como o pinheiro e o eucalipto. Boratto afirma que, do volume restante, retirado de matas nativas, muito pouco teve origem em projetos de majeno florestal. Nos últimos 20 anos, 6,2 milhões de hectares de florestas foram plantados no Brasil, mas o ritmo do reflorestamento caiu muito após 1987, com a retirada dos incentivos fiscais que eram oferecidos ao setor. Hoje, a média de plantio beira os 250 mil hectares anuais. Em contraste, a remoção da vegetação nativa ocorre a um ritmo superior a seis milhões de hectares por ano, pela expansão das fronteiras agrícolas e pelo uso de madeira na fabricação de lenha ou de carvão vegetal. É como se toda a área reflorestada em 20 anos fosse cortada todos os anos no país (GM).