As queimadas, a má utilização do solo e o uso indiscriminado de agrotóxicos, em especial em países do Terceiro Mundo, transformam em desertos, anualmente, 21,6 milhões dos 3,3 bilhões de hectares de áreas cultiváveis do planeta, algo em torno de 0,6% do total. Se a humanidade não tomar uma atitude para reverter esse quadro, e adotar uma agricultura auto-sustentável, conciliando a questão econômico-social com a interação com o meio ambiente, a vida na Terra se tornará inviável em menos de 100 anos. Essa tese, misto de previsão, foi levantada ontem, no Rio de Janeiro, pelo agrônomo Clayton Campanhola, diretor da EMBRAPA, na sua palestra sobre Implicações dos Tóxicos no Meio Ambiente e Saúde", na Rio-Ciência 92, evento paralelo à Rio-92. A reversão desse quadro, em especial nos países em desenvolvimento, é uma tarefa difícil, na opinião de Campanhola, "pois a falta de dinheiro se conjuga à mentalidade atrasada e mercantilista dos agricultores", que utilizam monoculturas e agrotóxicos indiscriminadamente-- incentivado pelas indústrias químicas- =- e preferem fazer queimadas a contratar mão-de-obra para O tratamento adequado da terra (JB).