O governo terá que se articular muito bem junto ao Senado, se quiser evitar problemas com o Clube de Paris. Ontem, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) conseguiu que os integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos rejeitassem mensagem presidencial para o reescalonamento da dívida da Polônia com o Brasil, que chega a US$3,7 bilhões. Dessa forma, terá preferência de votação no plenário do Senado (possivelmente na próxima semana) o voto em separado do senador Suplicy, pelo rompimento do que foi acertado, e não mais a mensagem do presidente Collor. Essa mensagem, de número 178, pede autorização para que a União celebre o acordo com o Clube de Paris, abrindo mão de cerca de 50% dos créditos junto à Polônia. O Brasil não contou com o beneplácito do Clube de Paris para qualquer tipo de abatimento de sua dívida externa. E foi com este argumento que o senador Suplicy conseguiu a adesão de senadores até de partidos ligados ao Planalto, como Espiridião Amin (PDS-SC), para negar também qualquer espécie de concessão a seus devedores (O Globo).