PARCEIROS DO BRASIL ESTÃO PREOCUPADOS COM A FALTA DE DEBATE

As macropolíticas sociais poderão ser o principal gargalo na integração dos quatro países do MERCOSUL-- Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Problemas nas áreas econômicas, acreditam representantes do mercado comum, vêm sendo resolvidos se não a contento completamente, ao menos de maneira satisfatória. Sem integração social não há integração econômica, disse Carlos María Monterior, assessor comercial do consulado do Uruguai em São Paulo. Na questão econômica, com um pouco de bom senso e boa vontade cada país
47210 vai encontrar seu nicho, garantiu, ontem, durante debate no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. O cônsul argentino, Carlos Alberto Onis Vigil, também concorda. Ele assumiu há pouco tempo o cargo depois de ter sido durante anos, diretor da Chancelaria argentina para a América Latina. Nessa condição, ele acompanhou negociações no âmbito do MERCOSUL e da Associação Latino- Americana de Integração (ALADI). "Esses assuntos se parecem com o avanço de um exército na guerra. Alguns setores vão na frente e outros demoram mais", comparou. "Mas os acertos serão feitos", disse. Juan Alfredo Buffa, conselheiro da embaixada do Paraguai no Brasil, disse que em seu país o comércio vê o MERCOSUL como um risco. "Eles preferem mudanças mais graduais", explica. Para o conselheiro, o desemprego que tanto assusta os paraguaios poderia ser reduzido com uma política migratória simplificada. O interesse das empresas brasileiras pelo MERCOSUL está aumentando gradualmente, segundo constatou uma pesquisa feita pela Price Waterhouse. Perguntados sobre quais os três países onde é mais interessante investir ou manter relações comerciais, líderes das 500 maiores empresas do Brasil por faturamento responderam: EUA (com 51% das preferências); Alemanha (39%); e Argentina (35%). No último levantamento concluído em janeiro, 42% dos entrevistados responderam que não haveria modificações em suas empresas em razão do MERCOSUL. Ontem, com a divulgação do último trabalho, esse índice havia caído para 36%. "Também no âmbito do comércio houve alteraçãó, disse Célio Lora, diretor da Price. Quatro meses atrás, apenas 22,9% pretendiam aumentar suas exportações, enquanto hoje a proporção subiu para 45%, diz. Setorialmente, não foi encontrado nenhum grupo que acredite que o MERCOSUL tenha algum efeito negativo, disse Lora (GM).