FUNCIONÁRIOS DO IBGE ENTRAM EM GREVE

Os funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Rio de Janeiro, mas da metade do total de 11 mil no país, entraram em greve à zero hora de hoje. A decisão foi acompanhada nos estados de Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Sul e Bahia, envolvendo um total estimado de 6,3 mil servidores. A expectativa do comando é de parar todas as atividades da instituição até amanhã, o que inclui os índices de preços, os levantamentos sobre produção industrial e agrícola e taxas de desemprego, além do Censo Demográfico, com o risco de adiamento dos primeiros resultados definitivos, previstos para junho. A greve no IBGE faz parte de um processo geral de mobilização do funcionalismo público, centrado na exigência de reposição salarial imediata (de 250% em média) e na pressão sobre o Congresso. A preocupação do Comando Nacional dos Servidores, sob hegemonia da CUT, é evitar a votação ainda nesse semestre de projetos que retiram as universidades e o IBGE do Regime Jurídico Único, limitam a 60% da receita corrente líquida do setor público os gastos com pessoal e estabelecem os salários vigentes em abril desse ano como parâmetro para 1993, descontados os eventuais reajustes até o final de 1992. A expectativa do Comando do IBGE é de uma greve longa, em função das dificuldades esperadas para a negociação da pauta geral, que incluem por exemplo a elevação do piso do funcionalismo federal para Cr$975,1 mil (o mínimo necessário, segundo o DIEESE) e do teto para Cr$11,2 milhões, além da revisão do projeto de isonomia (trabalho igual, salário igual) entre os três poderes. As greves mais longas do IBGE foram respectivamente de 66 dias (1990) e 73 dias (1991) (JB).