MERCOSUL DEBATERÁ SUBSÍDIO COM OS EUA

A eliminação dos subsídios às exportações agrícolas dentro do continente norte-americano será o tema central da reunião marcada para a próximo dia 4 de junho, em Buenos Aires (Argentina), entre representantes do governo norte-americano e do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). O encontro se realiza no âmbito do Acordo de Rose Garden ou 4+1, como ficou conhecido o documento assinado em Washington, em julho de 1991, entre os chaceleres dos quatro países do MERCOSUL e a Secretaria de Comércio dos Estados Unidos. O acordo criou um mecanismo de consultas e negociações sobre assuntos sensíveis na relação entre o governo norte-americano e os países da região, envolvendo uma dúzia de temas, entre os quais a transferência de tecnologia, práticas desleais de comércio, garantia de investimentos e subsídios à produção e exportação agrícolas. Para esta segunda reunião desde a assinatura do acordo-- a primeira foi em Washington, em novembro--, estarão presentes os representantes do MERCOSUL Felix Pena, pela Argentina; Rubens Barbosa, pelo Brasil; Felix López Acosta, pelo Paraguai, e Miguel Berthet, pelo Uruguai; além do secretário de Relações Internacionais da chancelaria argentina, Alieto Guadagni. Dos EUA virá o embaixador Myles Frechette, coloborador direto da secretária de Comércio, Carla Hills. A agenda também inclui uma análise da Rodada Uruguai do Gatt (Acordo Geral de Tarifas e Comércio, e do relacionamento político e econômico entre o MERCOSUL e Nafta-- North America Free Trade Area, a zona de livre comércio a ser formada por EUA, Canadá e México. Aos parceiros do MERCOSUL interessa obter dos Estados Unidos o compromisso de que não venderá produtos agrícolas subsidiados aos países da região, como aconteceu no ano passado, quando 700 mil toneladas de trigo norte-americano foram entregues ao Brasil, em prejuízo do concorrente argentino. O Brasil havia comprado antes, da Argentina, dois milhões de toneladas do produto, cumprindo os termos do protocolo assinado entre os dois países em 1987 e renovado em 1990, mas ainda necessitou de mais 1,4 milhão de toneladas. Os preços subsidiados do trigo norte-americano fizeram baixar a cotação das outras 700 mil toneladas que o Brasil encomendou da Argentina. A assinatura do 4+1 significou que a administração norte-americana reconhecia a existência do MERCOSUL como um fato concreto e aceitava discutir certos "temas delicados" com uma representação conjunta dos países da região (JB) (GM).