O comércio intra-regional dos 11 países-membros da Associação Latino- Americana de Integração (ALADI) está crescendo. Em 1991 as exportações registradas nessa região no valor de US$15,093 bilhões foram 22% maiores do que em 1990 e as importações, de US$15,684 bilhões, aumentaram 26%. Neste ano, segundo prevê o secretário-geral da ALADI, embaixador Jorge Luis Ordón~ez, a tendência de ampliação de negócios entre os países latino-americanos deve permanecer. As projeções da ALADI indicam que neste ano os 11 países-membros devem trocar exportações no valor de US$18 bilhões. "A recessão nos EUA e na Europa tem contribuído para que o comércio intra-regional cresça, mas, sem dúvida, estamos presenciando o fortalecimento do processo de integração na América Latina", diz o embaixador, que ontem esteve em São Paulo no Memorial da América Latina. O embaixador Ordón~ez lembrou que o Brasil responde por grande parte dessa evolução dos negócios na região sul do continente. Segundo dados da balança comercial de janeiro a abril últimos, divulgados pelo governo brasileiro na semana passada, as exportações do Brasil para os parceiros da ALADI somaram US$2,067 bilhões-- apenas US$249 milhões a menos do que as vendas para os EUA e Canadá. O secretário-geral da ALADI diz, porém, que não é apenas o aumento de negócios entre Brasil e Argentina, atualmente o segundo maior importador de produtos brasileiros (o primeiro é os EUA), que se está refletindo nos valores apurados pela ALADI. O Grupo Andino está batendo recordes consecutivos de comércio, a Argentina e o Chile estão aumentando os negócios a cada ano e as operações entre México, Colômbia e Venezuela também estão crescendo, contou. Os países que compõem o Pacto Andino fundado em 1969-- Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela-- estão negociando a criação de um mercado comum por volta de 1994. Os governos do México, Colômbia e Venezuela assinaram um acordo de comércio e investimentos no ano passado. Segundo estudo preparado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) intitulado Acordos de Comércio Regionais, esses três últimos países devem criar uma zona de livre comércio no final de 1993. O México, além de estar negociando sua inclusão no Arcordo de Livre Comércio da América do Norte com os EUA e Canadá, também pretende formar uma zona de livre comércio com cinco países da América Central que deverá ser implementada em 1996. Acordos caracterizados como de livre comércio envolvem apenas a eliminação de tarifas e restrições alfandegárias. A implementação de um mercado vai além e exige a harmonização de políticas macroeconômicas. Neste último modelo está inserido o MERCOSUL, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e projetado para entrar em ação no início de 1995. O MERCOSUL é citado pelo embaixador Ordón~ez como exemplo de acordo regional que, como os demais atualmente negociados na América Latina, "está acelerando o processo de integração no continente". Recessão-- As exportações que os países da ALADI registraram com o resto do mundo caíram no ano passado em relação a 1990, demonstrando a dificuldade que exportadores latino-americanos enfrentaram nos mercados recessivos dos EUA e Comunidade Econômica Européia (CEE). As importações, por outro lado, apresentaram um aumento de 16%. A abertura das economias latino-americanas, lembrou o embaixador Ordón~ez, ao produto estrangeiro é o principal fator desse resultado. Os dados fornecidos pela ALADI também indicam uma suave queda no total das exportações dos 11 países-membros em 1991 em relação ao ano anterior. No ano passado esse valor foi de US$112,619 bilhões, 1% a menos do que o resultado de 1990. As importações globais, por sua vez, cresceram, com destaque para o desempenho do México, Venezuela e Argentina (GM).