Embora o controle do efeito estufa, e consequentes alterações climáticas do planeta, dependam muito mais dos países industrializados do que do Terceiro Mundo, há muito o que fazer a favor desta causa no Brasil. A emissão de gases que retêm calor, pelo desmatamento da Amazônia e pelos combustíveis fósseis (este em escala menor) faz com que o Brasil responda por 4% do efeito estufa mundial-- contra 20% dos EUA, por exemplo. "Essa percentagem brasileira pode ser pequena em relação ao resto do mundo, mas representa um índice bem alto", analisou ontem o pesquisador Phillip Fearnside, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), que participou do debate "Efeito Estufa-- Poluição Atmosférica Global", no Rio Ciência 92, no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Segundo ele, o impacto do desmatamento sobre a atmosfera é oito vezes maior do que o provocado pelos gases dos combustíveis fósseis. "Só que os combustíveis servem para tocar indústrias e transportes, enquanto o desmatamento não traz qualquer benefício para o Brasil", afirmou. O desmatamento da Amazônia está diminuindo. Entre 1978 e 1988, foram devastados 22 mil km2 de florestas, índice que caiu para 19 mil, em 1989, 13,8 mil, em 1990, e 11,1 mil no ano passado. Esta queda, no entanto, frisou Fearnside, não é fruto de ações governamentais, mas da crise econômica que afeta os grandes fazendeiros impedindo-os de investir em suas terras (JB).