A demarcação de terras e o fim do genocídio, em especial na África e na Ásia, são os principais pontos da "Carta da Terra" que mais de 150 índios de 26 países dos cinco continentes estão preparando na Conferência dos Povos Indígenas, na Aldeia Kari-Oca, no Rio de Janeiro, para a Rio-92. Ontem, segundo dia da conferência, os representantes se reuniram e relataram a situação de seus povos, deixando claro que o ponto que os une é a falta de terras. A demarcação de uma área de mais de 1,2 milhão de hectares na Amazônia- =- Em território brasileiro e venezuelano-- não foi suficiente para acabar com os problemas dos yanomanis, considerados um dos povos mais primitivos do planeta. A invasão sistemática da área por garimpeiros deixou um saldo dramático: em alguns trechos da reserva, a malária atinge 80% da comunidade e pelo menos um índio morre por dia. Mesmo com tantas dificuldades, uma delegação dos yanomanis chegou ontem a Aldeia Kari-Oca, para discutir com outros povos como lutar pela demarcação de terras (O Globo).