MARCÍLIO PROPÕE BOICOTE A PRODUTOS QUE SOBEM DEMAIS

O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, apelou ontem a consumidores para que ajudem a baixar os índices de inflação. Aos consumidores, ele pediu que deixem de comprar produtos que tiveram seus preços reajustados despropositadamente. Aos empresários, que abram mão do lucro rápido, colocando no preço apenas o custo básico do produto. Após a reunião com o governador de Santa Catarina, Vilson Kleinubing (PFL), o ministro não quis falar dos índices da inflação para maio e junho. Mas, segundo ele, pela forma como vêm se expandindo os setores de exportação agrícola e industrial, a curva inflacionária deve ser descentente. "Podem até acontecer pequenas alterações, mas a inflação está caindo", ressaltou ele, ao deixar o Palácio da Agronômica, onde conversou por quatro horas com o governador e alguns empresários. A respeito da devolução do empréstimo compulsório sobre os combustíveis, Marcílio Marques Moreira destacou que, apesar de não ter sido criado pela atual equipe, será devolvido dentro da "oportunidade e momento". Ele lembrou que já liberou, nos últimos 12 meses, US$20 bilhões referentes aos cruzados novos bloqueados, o que mostra a lisura do governo. O ministro da Economia voltou de uma viagem a Buenos Aires, onde se reuniu com os ministros da Economia os países do MERCOSUL: Domingos Cavallo, da Argentina; Ignácio Posadas, do Uruguai; e Juan José Dias Peres, do Paraguai. No encontro, ficou decidido que o Tratado de Assunção, firmado em março de 1991, passará a ser cumprido. O tratado prevê, dentre outras coisas, tarifa alfandegária zero a partir de 1o. de janeiro de 1995 e definição de tarifa aduaneira do mercado comum nas negociações externas. A próxima reunião ficou marcada para 26 e 27 de junho, em Las Len~as, na Argentina (O Globo).