Os quase US$2 bilhões que foram captados por bancos brasileiros no exterior para serem repassados internamente em forma de empréstimo estão sendo utilizados pelas empresas, em sua grande maioria, para recompor as dívidas, principalmente no alongamento do prazo. A avaliação dos bancos que estão realizando essas operações é de que só uma parcela muito pequena desses recursos foi tomada por empresas dispostas a fazer novos investimentos. Marcus Elias, diretor de Corporate Finance do Banco SLR (ex-Matrust), admite que os juros cobrados por esses empréstimos-- entre 16% a 20% ao ano mais correção cambial-- apesar de bem abaixo das proibitivas taxas de 40% ao ano mais correção monetária cobradas nos empréstimos feitos com linhas próprias dos bancos captadas em cruzeiros, afugentam as empresas. Um investimento exige prazo. As empresas só investirão quando os
47135 empréstimos foram de, no mínimo, cinco anos, avalia Elias. Dora Kauffmann, diretora adjunta de Corporate Finance do UNIBANCO, que captou US$200 bilhões no mercado externo entre abril e maio deste ano, também admite que os recursos, já totalmente repassados a empresas, estão sendo empregados basicamnte em recomposição de dívida. "Esses empréstimos não podem ser interpretados como recuperação porque muito pouco está sendo tomado para investimento", afirma. Dora admite, no entanto, que esses empréstimos estão trazendo um grande alívio para as empresas que estavam pagando juros de 40% ao ano acima da correção monetária e eram obrigadas a renegociar as suas dívidas no curto prazo. Agora as empresas estão trocando estas dívidas pelos empréstimos internacionais, que oferecem juros menores e prazos maiores. Muitas companhias estão alogando seu passivo em até três anos. Ou seja, a economia foge do overnight também pelos empréstimos (JB).