O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, propôs ontem aos seus colegas da Argentina, Domingo Cavallo, do Paraguai, Juan José Diaz Pérez, e do Uruguai, Ignacio de Posadas, a adoção, a partir do segundo semestre deste ano e até 1994, de um cronograma de medidas destinadas a consolidar as metas e objetivos previstos em março de 1991 pelo Tratado de Assunção, que criou o Mercado Comum do Sul-- MERCOSUL. A idéia da proposta, disse o ministro, "foi a de sinalizar muito claramente que os prazos de implantação do MERCOSUL, até janeiro de 1995, são factíveis, realizáveis, passos concretos estão sendo dados, e há vontade política para isso". As medidas serão levadas pelo Grupo Mercado Comum (organismo coordenador do MERCOSUL) e apresentadas na reunião de presidentes dos quatro países que se realizará no centro turístico argentino de Las Lenas, no dia 26 do mês que vem. Um dos passos concretos a que se referiu o ministro foi a aprovação pelo Congresso brasileiro do Tratado de Empresas Binacionais, entre o Brasil e a Argentina, cuja entrada em vigor deverá ocorrer já no segundo semestre. As boas notícias, por parte do Brasil, se complementaram com a informação de que, em consequência de gestões realizadas pelo ministro Marcílio Marques Moreira em Tóquio, as autoridades japonesas se interessaram em estudar a possibilidade de futuros acordos com o MERCOSUL, a exemplo do que já começou a fazer a Comunidade Econômica Européia. Câmbio-- Houve um assunto, no entanto, que não foi abordado nem no suntuoso salão de mármore do Banco de La Nación, onde se reuniram os ministros da Economia, presidentes de bancos centrais e equipes de assessores do MERCOSUL, nem no discreto jantar que reuniu, na sexta-feira à noite, Marcílio Marques Moreira, Domingo Cavallo e poucas autoridades da área econômica e diplomática dos dois países, num seletíssimo restaurante de Buenos Aires. O delicado tema é a taxa de câmbio, que muito aflige os argentinos pelos desequilíbrios que provoca no comércio entre os dois países. Marques Moreira aparentou surpreender-se com a pergunta sobre a taxa de câmbio, garantiu que ela não foi objeto de discussões "a nível de ministros"-- "o ministro da Fazenda não conversa sobre taxa de câmbio"--, mas afirmou que "o Brasil segue política cambial realista, sem sobrevalorização ou desvalorização do cruzeiro". O governo brasileiro, aparentemente, também não pretende elevar as tarifas públicas até o ponto que desejariam as autoridades argentinas, destinatárias das reclamações da indústria contra o que consideram subsídios que distorcem as condições de competição entre produtos brasileiros e argentinos, em favor dos primeiros. O ministro Marcílio Marques Moreira negou informações divulgadas pelos jornais argentinos de que a energia no Brasil custa US$35 por KW-- "o preço está em US$49", assegurou-- e acrescentou que as tarifas públicas têm que remunerar o capital investido mas não podem prejudicar a competividade do país. A França está oferecendo bem abaixo disso, chega a US$19 por KW, disse o ministro, "e tem indústrias brasileiras se instalando lá por causa da energia barata". O governo, segundo o ministro, desenvolve "uma tragetória de recuperação cautelosa das tarifas, que permite a continuidade do esforço de investimento da ELETROBRÁS e não prejudique a competitividade da economia brasileira. Estamos, junto com o MERCOSUL, nos inserindo no mundo, não estamos nos inserindo no MERCOSUL para separarmo-nos do mundo" (JB).