NUCLEI REVELA VAZAMENTO DE GÁS FREON

Vinte e três toneladas de gás freon, o tipo mais comum de clorofluorcarbono (CFC), substância que destrói a camada de ozônio da atmosfera, vazaram de equipamentos com defeito da Nuclebrás Enriquecimento Isotópico (NUCLEI), em Resende (RJ), entre 1985 e 1988. O fato só agora foi revelado pelo atual diretor executivo da empresa, Ivano Marchesi. Segundo ele, o vazamento foi Insignificante". Essa avaliação, porém, é contestada pelo astrônomo Ronaldo Mourão, do Observatório Nacional, que classificou o fato como um "acidente ecológico". O freon da NUCLEI foi comprado da empresa Du Pont. O acidente-- consequência de defeitos em 24 compressores instalados na usina de processamento de urânio da empresa-- causou um prejuízo de pelo menos Cr$302 milhões. Conforme Marchesi, na época foi feita uma sindicância interna e as causas do vazamento foram atribuídas às empresas Sulzer do Brasil, a multinacional suíça encarregada da montagem do sistema de refrigeração da usina, e à Steag e Interaton, empresas alemãs que detêm juntas 25% do capital da NUCLEI. A cobrança até hoje não foi feita. O Brasil investiu na NUCLEI cerca de US$400 milhões. Ela foi montada para testar o processo de enriquecimento de urânio com jato centrífugo ("jet nozzle"), mas nunca entrou em operação (O ESP).