O irmão do presidente Fernando Collor, Pedro Collor, recuou ontem na guerra que vinha travando contra o empresário Paulo César Farias, o PC, e que poderia atingir também o governo, conforme o próprio Pedro anunciou. O advogado de Pedro, Paulo José da Costa Júnior, disse que seu cliente agora quer evitar a divulgação da fita que gravou levantando suspeitas sobre as atividades de PC e do irmão Fernando. Ao ser questionado se a fita contém denúncias sobre uso de cocaína, Costa Júnior declarou apenas que "todas as declarações feitas naquela madrugada têm que ser relativizadas". Para o advogado, Pedro Collor "não tinha a cabeça no lugar". Há a disposição de parar com as acusações e os atritos, disse Leopoldo Collor, após uma reunião de três horas com Pedro, ontem pela manhã. Tenho razões para crer que o bom senso vai prevalecer, acrescentou, num claro sinal de que o irmão decidiu recuar. O empresário Paulo César Farias disse que as acusações de Pedro Collor são "levianas" e "se ele não fosse irmão do presidente da República não teriam o menor eco". As afirmações de PC foram feitas em entrevista ontem por telefone ao "TJ Brasil". PC afirmou que é Inocente e está pronto para se defender na Justiça". E dasabafou: "Sou apenas um homem de negócios". O advogado Fernando Gomes de Melo, marido da secretária particular do presidente Collor, Ana Accioly, é sócio de PC no jornal "Tribuna de Alagoas". O jornal desencadeou a briga entre Pedro Collor e PC. Fernando Gomes de Melo é também consultor jurídico da construtora OAS, da Bahia, que paga o aluguel de sua residência em Brasília (DF). Em entrevista, o advogado disse que se sente um Imbecil" por ter participado do empreendimento, que já teria custado cerca de US$5 milhões (Cr$14,3 bilhões) a PC. O advogado disse que sua participação no jornal não envolve a OAS, embora, segundo admitiu, dê margem a especulações sobre uma conexão entre PC, a construtora e Collor (FSP).