O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, disse ontem, em Buenos Aires (Argentina), que o comportamento dos oligopólios "é um fator, não único", que impede a queda da inflação no país. Ele disse que a Secretaria Nacional de Economia e a Secretaria de Defesa Econômica "estão examinando os casos e agirão". Segundo Marcílio, as secretarias estão estudando que tipo de ação adotar contra os monopólios, cujos setores não quis mencionar. O ministro afirmou que o assunto está sendo conduzido "com sentido de urgência". Ao fazer uma exposição para os demais ministros de Economia da Argentina, Paraguai e Uruguai sobre a conjuntura brasileira, o ministro disse que a inflação está alta, mas a tendência é de queda em um contexto de preços liberados e afirmou que as taxas de juros só cairão com a derrubada da inflação. Os ministros da Economia dos quatro países decidiram criar um cronograma para, entre outros pontos, coordenar as políticas macroeconômicas dos países integrantes do MERCOSUL (Mercado Comum do Sul). A idéia é dar mais credibilidade ao programa de integração. Marcício, autor da proposta, aceita por Domingo Cavallo (Argentina), Ignácio de Posadas (Uruguai) e Juan Diaz Peres (Paraguai), disse, em entrevista, que o tratado enfrenta dificuldades, mas há maneiras de superar. O ministro não incluiu a inflação brasileira como um dos entraves ao MERCOSUL. Há cerca de duas semanas, em Madri, Cavallo manifestou temor pelo adiamento dos acordo por causa do descontrole da inflação brasileira. Ontem, ele afirmou que suas declarações foram "parcializadas" pela imprensa. O MERCOSUL, assinado em março de 91, tem data de funcionamento prevista para 1o. de janeiro de 95 (FSP).